
Os barcos
Publicado em 10/01/2009 19:40:00 | Tópico: Pablo Neruda
| Como no mercado se botam no saco carvão e cebolas, álcool, parafina, batatas, cenouras, costelas, azeite, laranjas, o barco é a vaga desordem onde caíram melífluas robustas, famintos jogadores, padres, mercadores: às vezes decidem olhar o oceano que se deteve como um queijo azul que ameaça com olhos espessos e o terror do imóvel penetra na face dos passageiros: cada homem deseja gastar os sapatos, os pés e os ossos, mover-se em seu terrível infinito até que já não exista. Termina o perigo, a nave circula na água do círculo, e longe aparecem as torres de prata de Montevidéu.
(In "Memorial de Isla Negra. Brasil: L&Pm, 2007)
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