
LVII
Publicado em 10/10/2008 21:00:00 | Tópico: Pablo Neruda
| Entre os espadões de ferro literário passo eu como um marinheiro remoto que não conhece as esquinas e que canta porque sim, porque como se não fosse por isso.
Dos atormentados arquipélagos trouxe meu acordeão com borrascas, aragem de chuva louca, e um costume lento de coisas naturais: elas determinaram meu coração silvestre.
Assim quando os dentes da literatura trataram de morder meus honrados talões*, eu passei, sem saber, cantando com o vento
para os almazéns chuvosos de minha infância, para os bosques frios do Sul indefinível, para onde minha vida se completou com teu aroma.
* talões - no sentido de calcanhares
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