
Balada dos mortos dos campos de concentração
Publicado em 02/09/2008 18:40:00 | Tópico: Vinícius de Moraes
| Cadáveres de Nordhausen Erla, Belsen e Buchenwald! Ocos, flácidos cadáveres Como espantalhos, largados Na sementeira espectral Dos ermos campos estéreis De Buchenwald e Dachau. Cadáveres necrosados Amontoados no chão Esquálidos enlaçados Em beijos estupefatos Como ascetas siderados Em presença da visão. Cadáveres putrefatos Os magros braços em cruz Em vossas faces hediondas Há sorrisos de giocondas E em vossos corpos, a luz Que da treva cria a aurora. Cadáveres fluorescentes Desenraizados do pó Grandes, góticos cadáveres! Ah, doces mortos atônitos Quebrados a torniquete Vossas louras manicuras Arancaram-vos as unhas No requinte da tortura Da última toalete . . . A vós vos tiraram a casa A vós vos tiraram o nome Fostes marcados a brasa E vos mataram de fome! Vossas peles afrouxadas Sobre os esqueletos dão-me A impressão que éreis tambores — Os instrumentos do Monstro — Desfibrados a pancada: Ó mortos de percussão! Cadáveres de Nordhausen Erla, Belsen e Buchenwald! Vós sois o húmus da terra De onde a árvore do castigo Dará madeira ao patíbulo E de onde os frutos da paz Tombarão no chão da guerra! FONTE: JORNAL DA POESIA
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