
LXXXI
Publicado em 06/08/2008 09:00:00 | Tópico: Pablo Neruda
| Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho. Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora. Gira a noite sobre suas invisíveis rodas e junto a mim és pura como o âmbar dormindo.
Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos. Irás, iremos juntos pelas águas do tempo. Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados e deixaram cair suaves sinais sem rumo teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,
enquanto eu sigo a água que levas e me leva: a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino, e já não sou sem ti apenas teu sonho.
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