
O Pai
Publicado em 12/08/2012 23:40:20 | Tópico: Pablo Neruda
| Terra de semente inculta e bravia, terra onde não há esteiros ou caminhos, sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces, como nada puderam as estrelas que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor e na doce fonte do meu sonho outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram o que me deram e porque depois conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro botão que ficou por rebentar e perde a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente cansou-se de a beijar... E o outono. Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras: ... menino, meu menino...
E na noite imensa com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda, in "Crepusculário" Tradução de Rui Lage
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