
Testamento
Publicado em 05/11/2010 16:00:00 | Tópico: Manuel Bandeira
| O que nao tenho e desejo E que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os... Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da minha terra. Por outras terras andei. Mas o que ficou marcado No meu olhar fatigado, Foram terras que inventei. Gosto muito de criancas: Nao tive um filho de meu. Um filho!... Nao foi de jeito... Mas trago dentro do peito Meu filho que nao nasceu. Criou-me, desde eu menino Para arquiteto meu pai. Foi-se-me um dia a saude... Fiz-me arquiteto? Nao pude! Sou poeta menor, perdoai! Nao faco versos de guerra. Nao faco porque nao sei. Mas num torpedo-suicida Darei de bom grado a vida Na luta em que nao lutei!
(29-janeiro-1943) *Poesia extraida do livro "Antologia Poetica - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2001, pag. 126. O maior autor do Modernismo no Brasil.
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