
Vampirismo
Data 21/09/2009 01:54:02 | Tópico: Poemas
| Eu te amei porque quis, porque não havia sol sob os lençóis de luxúria que cobriam nossos corpos com o teu perfume. Beijei tua boca com a fome de muitas vidas e fiz sangrarem – perdoa – os teus lábios, tantas vezes, porque eram dois somente e porque eu tinha dentes.
Lacerei a lembrança e o esquecimento, tomei-te inteiro, muitas vezes, e porque eras meu, unicamente meu, devorei-te como pude - quase sem poder - com as mãos, com os olhos intensos, com o relevo enfeitiçado que carrego sob a pele, quase sem querer.
Eu te amei assim por noites sem conta, transpirando o meu desejo mais fecundo, rio de sal a transbordar no doce mar do teu mundo, onde deixavas mergulhado o teu corpo gritando maldições inaudíveis quando sentias consumada nossa febre medieval e louca e sugavas, convertido, teu próprio sangue em minha boca.
Reza a estória que eu não te mandei embora, que sigo te amando, no escuro, até agora.
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