
DESPEDIDA DO VERÃO
Data 19/09/2009 17:46:30 | Tópico: Poemas -> Alegria
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Um cheiro agradável a terra molhada, cheiro esse deixado pela mais recente chuvada, invadindo e encharcando jardins e enchendo de ar puro o ar que respiro, entra por mim a dentro, por todos os meus poros de pele eriçada.
Fecho atrás de mim a janela de meu quarto, e, virando-me, pequenos rios, correm pelo vidro, tomando-o por inteiro, nas suas mais incríveis linhas naturais, ao que pela natureza prevaleceu.
O trovão que se aproxima, ribombando deixa adivinhar, nas ondas sobressaltadas do rio, acompanhadas de fortes relâmpagos, nova e bem mais encarniçada chuva.
Um louva-a-deus imóvel no jardim, junto às fartas rosas e unidas umas às outras, suporta os pingos de água que as mesmas largam, libertando-se do excesso líquido.
E o cheiro a hortelã é cada vez mais nítido, quando a chuva recomeça a cair em grande força, libertando olores mais e mais fortes, o que me causa uma certa irritação, sensível às fragrâncias que se mostrem mais acentuadas.
De capa e capuz me cobrindo deixo-me fustigar pela água e reparo enaltecido, no movimento circulatório, que o nosso louva-a-deus executa lentamente, até alcançar a segurança de uma grande folha, de uma não menos grande rosa, tentando fugir à raiva do vento e à fúria da chuva, que cairá o resto do dia e da noite, sem intervalos pelo meio.
Regresso a casa todo molhado mas satisfeito pelas maravilhas da natureza.
Jorge Humberto 18/09/09
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