
No palanque dos céus canta-se o fado
Data 19/06/2007 21:52:17 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Num tablado jacente da crista encrespada de uma onda um bando de corvos em coro cantam a voz Coimbrã, de pássaros mudos, com o mar em pano de fundo. Cantam já mortos, de bicos abertos em louca agitação.
Lá fora na planura da noite, a lua encerra o negro ermo do meu corpo em espera do sacio urgente no sal da tua pele.
Do teu porto e das janelas de vigia do teu barco zarpado em navegação descerram-se voos de pássaros vadios, em alvoroço, em chamamento, antecipando o embargo solitário da viagem.
Na deriva de nós, cantam gaivotas ruidosas a nossa dissonante ausência, em orquestras polifónicas e discordantes de velhos e embriagados mareantes.
No palanque dos céus canta-se o fado, recortado na falésia do degredo, num palco de saudade e frustração.
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