
imobilidade
Data 09/09/2009 02:37:12 | Tópico: Poemas
| aranha de cem patas caminha no fio que tece,
amanhece e eu sem teias.
vasculho no pó das gavetas abertas,em desespero de causa e agarram-me objectos de mofo,
apertam-me o pescoço as vozes alheias.
corro pelo corredor em ecos, os desenhos do chão geométricos ausentes de ideias.
escondo-me do medo no armário dos brinquedos de onde tirei o meu irmão zangado e na boca pintada da minha mãe uma qualquer ordem me emudece.
há uma janela grande no quarto em frente ao espelho. equilibro-me no parapeito secreto e acontece:
"aranha de cem patas caminha no fio que tece. anoitece e eu sem teias.":
escrevo libertando a razão das veias. porque me enlouquece
esta #imobilidade#.
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