
MENDIGO!
Data 08/09/2009 19:31:57 | Tópico: Poemas -> Sociais
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Não sabendo onde me dirigir, para alcançar determinado objectivo, sem pudor algum interpelei um mendigo, que ali por perto resolvera passar sua tarde, sentado na pedra da calçada.
Respondeu-me entre dentes com um «não sei». Agradeci e pedi licença e quando acabara de virar costas, para tentar a sorte, junto de outra pessoa, ouvi ao longe, como num murmúrio – o vinte e um passa por lá, sim senhor o vinte e um passa pelo local pretendido, pelo senhor.
Prestando-lhe vénia mais um vez agradeci sua prestação e o ter-me ajudado, enquanto outros passando por mim, de clara repugnância se faziam surdos e cegos ante minha humilde presença.
Conclui que o «não sei» é apenas uma defesa, inocente e sincronizada, contra uma sociedade repressora e estigmatizada.
Vendo que lhe querem de sua ajuda seus conhecimentos, em paz tornou-se (como seria de prever) naquilo que é. Um Ser Humano, igual a mim e a todos vós, que ledes estes meus versos.
Um momento, um conceito que virou eternidade nos vossos corações e que de ora em diante passarão a tratar a essa pessoa, como a uma de entre vós.
Mendigo não quer pena, tão só que respeitem sua humanidade e infortúnio.
Jorge Humberto 07/09/09
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