
Ausência de valor
Data 07/09/2009 16:55:21 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Digo e desdigo o que digo sem ninguém mo dizer. Nesta desdita não perco Norte nem Sul por aì o valor nada valer. Reparo que as minhas palavras apenas existem no momento e para o momento. Tudo o resto é apenas isso um resto, adição ou algo menos...mas nunca aquilo que já havia sido.
Neste brilhante jogo nada é o que parece e usar do juízo é pura ilusão. Prefiro deixar escorrer bacoradas por mim a baixo na esperança que alguém me contradiga. Os confrontos são menos que os desejados mas sempre saudados com sangue, suor e lágrimas. Vivendo cada baforada de vida como se fosse a primeira ou a última esqueço que podia haver um sentido algures oculto debaixo dos meus sentidos.
Sigo livre do peso do meu passado pois só assim consigo ser autêntico a cada instante. Oiço as vozes que me recordam aquilo que dizia ontem mas é apenas eco sem boca nem orelha. Quando lhes digo que nada do que disse, digo ou direi terá qualquer valor arremelgam a vista confundidos. Prefiro que o valor esteja apenas naquilo que É e não naquilo que foi, será ou poderia ter sido.
O presente também não tem qualquer valor pois se te deitaste a pensar nele assim ele se passou. A matemática da vida esconde-se por debaixo de fórmulas insondáveis para nós de nada nos valendo meter a contas.
Por quanto tempo mais vou eu continuar a dar valor ao que vivo?
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