
No jugulo de pássaros ...
Data 18/06/2007 19:27:22 | Tópico: Poemas
| No jugulo de pássaros lançados vivos à fogueira das verdades, no degolo de mim em fúrias d’aguas a escorrerem-se silvados na noite antecipada do raiar das tardes, engulo o orgulho e déspota em causa própria mergulho na sede ávida de um bem querer inútil. No caminho enganoso que me engole, na vereda imunda em que me afundo Sem forma Sem corpo com a alma quase finda e já difusa, não me distingo na dor infinita de beijar vazios, salivas ascetas, em lábios frios, azuis e mortos, na boca cimentada em policromias de verbo.
Déspota, sussurro o crepuscular anseio de ser janela aberta ao novo dia E luz E claridade emancipada no capricho de um milagre desenhado a escopo na pedra tumular em órbitas vazias, com bicos de tojo. De ser beberagem conluiada em fragrância de punções, bruxarias de sal e trigo roxo no purgo de um tempo Que me queima o ventre Que me perverte o olhar Que me respira balças e urtigas nos calcanhares da vida …
E me jugula a fala da alma sanguinária, que não se queda, que se não cala, face ao assassínio de pássaros paradisíacos lançados vivos à fogueira das vaidades.
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