
elegia da loucura
Data 02/09/2009 22:55:21 | Tópico: Poemas
| Eu não sou eu, Nem sou o outro, Nem sequer sou… Sou algo de ininteligível Entre mim e o outro, Farrapo diáfano mesclado De uma teia emaranhada Na trama que teço De um outro que não eu. Rompo a cervical Em movimentos alucinados Para lá e para cá De mim, para o outro Num batucar nervoso Que me rompe as falanges No batuque do outro, Ponte de intermédio De margens opostas De costas voltadas, Interstícios rebuscados Que fedem em defecações estagnadas Num devir mictório Que reluz amarelo na noite urinária Que não ordinária Por uma ordem desordenada. Rasto de sangue e puz Que água benta não lava Excretada por cus papais abençoados
Eu não sou eu… Nem sou o outro Sou grão burilado Pela poeira soprada Da boca do outro Vela enfunada pelos ventos alísios Anticiclone manso Do cabrão que não sou eu Suco gástrico e aziático De uma modorra pestilenta Que se me esgota pelos apêndices Por todos… Sem saber … nem vir. Só lá…escorre-me pelos cantos da boca De lábios que não são meus. Do outro? E porque lhe sinto a amarga pestilência?
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