
O ar que me respira
Data 17/06/2007 10:24:50 | Tópico: Poemas
| Os gestos com que me teço em filamentos de ventos são retalhos angulados dos teus a passos pintados no tear dos meus sentidos.
Funis de esfuma saídos da bruma do alto mar em cachos de uva repisados. Fados antigos reinventados, bebidos nos xailes negros traçados da taça de cicuta.
O ar que me respira transpira a adrenalina do meu corpo em gestos ébrios de saudade, de febre e fogo, empapados no vinho mosto em que me embriago, em que me ensopo, e me escoo a ondular mutismos na estrada das madrugadas.
A loucura inscreve um epitáfio na pedra das estrelas caídas das labirínticas palavras inventadas no assassínio confesso de um tempo de silêncio, de desalento, em que as asas de um sonho migraram sem corpo em rotas ácidas de teias rotas. Nestas, em que enleada piso relva vítrea do destino, na incerteza, num grito de rapina, de um ave ferida, que se perdeu da rota da vida. Um epitáfio de sangue e seiva líquida, na voz da alma que por ti clama, por ti grita...
O ar que me respira transforma em húmus a flor que floresceu rubra no sentimento virgem de mulher.
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