
Deixa-me!
Data 16/06/2007 01:18:32 | Tópico: Prosas Poéticas
| As coisas tinham-se tornado sérias. Ela parecia-me mais alta e severa e mais uma semana passada em “exílio” não ajudava. - E o trabalho? Correu bem? - Sim. Esperamos ter boa nota. Foi uma estafa do pior (só gajas a pendurar-se, pensava eu), mas acabámos por ter a coisa bem definida. Uma seca. - Mas porque é que não ligaste? - Ouve, Maria (Lúcia, Teresa, chaga do pior, não me fodas a cabeça, maria amélia, seca, gira como tudo, olhos de gato), ‘tivemos sempre a trabalhar que nem um loucos. Foi do pior. Se pudesse tinha ligado. - Ainda gostas de mim? - (Estas gajas não existem!) Querida, eu adoro-te! Bem, vou ter de ir. - Outra vez? Já vais voltar? Mas assim? Não tens medo? Podes ter um acidente... -Tenho aulas cedo, tenho de ir. Passo-me com estas saídas à noite, mas tu também podias ir ter comigo. As discotecas por lá também são do melhor... - Oh! E os meus pais? Tás louco? - Bem, tenho de ir. Um beijo: - Beijos. Fiz-me à estrada. No Golf II batiam as 2h35. Hora do caraças. Grandes acidentes que se deram por volta da meia-noite: os osgas, o charrua, o necas. Entre a uma e as duas: o Barata, o Laurentino e o Dias. ´Tou a arriscar, pensei. Liguei a ignição. O 1.6 ronronou baixinho. Sim, que nestas histórias há que manter o motor dominado. Arranquei em direcção à autoestrada. Lembrei-me do Ruas. Pendurava-se nos estendais a partir do quarto whisky. Mesmo acima do quinto andar. Desde que houvesse miúdas presentes, ele fazia-o. O funeral foi rápido, fizemo-lo em silêncio e no ano passado. Foda-se, tenho de ir, já é um quarto para as três! Foda-se Lourenço, ouviu-se num entaramelado banco de trás, arranca de vagar, foda-se! A estrada foi rápida. Tinha de chegar antes das quatro. Entrei. O momento era o ideal. A música convidava ao sétimo whisky da noite, para mim o segundo, pelo menos em comportamento. A música desceu. Os Foreigner (qué lá isso?) sussuravam “I’ve been waiting, for a girl like you...”. Tu esperavas, com um ar supostamente desprendido, que eu chegasse de Lisboa. Sem que me esperasses sussurrei-te ao ouvido: “Danças’? E dançámos. E ainda dançamos. Num movimento eterno que temos o prazer de descrever sem pueril prosa filosófica, no prazer imenso que a vida tem de trazer –e traz - a todos nós!
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