Sem gosto de sol

Data 24/08/2009 19:04:27 | Tópico: Poemas

Depois de vencida a penúltima porta
Convida-me ao leito a tarde já morta,
No frio que dói como dói um açoite
A voz da saudade lembrando que é noite.

São horas que anseio passarem por mim
Sem que eu lhes conheça o início ou o fim,
Sem que um labirinto feito de abandono
Enrosque meu pranto às malhas do sono.

Meu olhar vazio apalpando o futuro,
As mãos hesitantes rompendo o escuro,
Meu corpo sem vela num mar de lençol.

Num brinde à perda, ao engano, à dor,
Ao tempo passado - carrasco do amor
Sorvo este poema sem gosto de sol.




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