
Recorda comigo o verde do tempo largo
Data 14/06/2007 18:34:57 | Tópico: Poemas
| Recorda comigo o verde do tempo largo onde nos reconhecemos dúcteis, dóceis, remando um mar bravio onde as espigas dobravam ventos antagónicos no pleno dos campos alagados e vastos, nos caules de palavras desveladas.
O tempo em que repousamos, divinos, sacros na serenidade silenciosa, harmónica, de bagos soltos de arroz, dispersos na floresta induzida dos instintos.
Recorda agora o cheiro venusiano da minha pele e o brilho esmeralda dos meus olhos, resgatados por ti e para ti ao cofre das mais cavadas águas, no martírio das febres, de cada palavra, de cada poema em que me encerras, no delírio impúbere de virgens apaixonadas.
Recorda por fim o toque dos teus dedos empolados, túmidos, sábios, plenos, no recorte dos meus lábios, no tactear dos meus seios, no contentamento do meu corpo, e sente, sente amado, o salgado das minhas lágrimas misturadas com o sal da minha pele a salmourar o desejo. Bebe-o de mim, no cálice do meu ventre, e depois sim, acende uma lanterna na boca do abismo e parte, sê peregrino, cumprindo a regra do destino: Sê asceta no teu próprio catecismo.
Parte, na certeza de que amar, hoje e sempre, é e será, uma suprema arte.
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