
CARISMA
Data 03/08/2009 05:15:20 | Tópico: Poemas
| Enrolo a vida no pão que mastigo Mas ninguém, nem Deus se existe Me dará a fome por morte como castigo Pois já é morte, a vida que me resiste
Devoro o pão da seara do tempo Mato a sede na tempestade do nada Comendo no pomar do sentimento A revolta muda, da palavra calada
Migalha molhada na luta que travo Palavras que digiro, mas não escrevo Nem revelo num sorriso de desagravo Pois a tal destemor, já não me atrevo
No negrume da noite bebo o café Que adoço, com saudades salgadas Pois secaram as lágrimas,onde a fé Eram nuvens alvas e açucaradas
No pardieiro dos meus sentimentos Estão as células que já definham Na velhice, a dor e os lamentos Tempos que a memória desalinham
Na carcaça do meu corpo encurralado O coração expulsa mágoas encerradas Que sangram, como palavras dum fado Tristezas e mil desditas mal saradas
No meu cérebro conduto o pensamento Expulsando a vida na palavra sussurrada Dou tempo ao tempo, até ao momento Em que o tudo, se transforme em nada
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