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Data 25/07/2009 18:52:36 | Tópico: Prosas Poéticas
| Nascera em outra era, Ah, seria eu poeta! Nasci no tempo do facto consumado Poeta é aquele que tem esgaça opinião Escreve em contra mão, talvez, esbatido de visão As coisas do coração, paixão, inibição Das ideias, que devem fluir soltas como o vento Nunca presas na retórica de um verso contrafeito.. Depois nascem os malabaristas das palavras Aqueles que vivem paredes meias , com a razão e a ilusão Com a utopia, a frustração, o certo e o errado, o fado Do poeta malfadado, que nasceu fora de tempo Deleite nos poetas do passado, sem medo ou pecado Cuspiam no papel, como quem cospe na própria pele Alimentavam-se de quezílias que quase sempre conduziam Ao avanço, há descoberta, a novas referencias e directrizes Geravam movimentos, alimentavam consciências, sem contingências De bem fazer por bem parecer, ou bem dizer, preocupavam-se somente Em escrever… Sobre o amor, a dor, a politica e a revolta contra a vida torta De uma pequena causa nascia a estrofe, onde o sangue jorrava Em lufadas de ar fresco, mentes soltas e abertas, de preconceito Escreviam e cantavam, o que os do seu tempo desdenhavam, Mas em surdina idolatravam, reis e marqueses, damas e princesas O clero e o povo, faziam dos poetas ídolos de carne e osso Nascera em outra era… Ai poetas do meu tempo, masturbem as ideias, encham-nas como as colmeias Espalhem-nas paredes meias com Deus e o Diabo, escrevam a letra de um fado E quem sabe, Um dia serão recordados como poetas do passado…
Antónia Ruivo
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