
Era o vinho
Data 15/07/2009 00:10:37 | Tópico: Textos
| Era o vinho, só por ele cantava velhas serenatas à luz do lampião.
Naquele dia mostrou -se diferente do costume, limpou os moncos e lembrou -se da velha namorada que por ele suspirava coiros e coriscos em tempo de lua cheia.
O Ti Manel Galochas, assim era conhecida esta criatura, tinha - a deixado sentada na montada do velho Zeferino, o burro que estava para ir para as corridas de Vila Franca.
Ria -se como um desalmado, pensando na pobre mulher que teimava em partir devido à bebida que ele consumia para esquecer a sua amada.
Estava quase sempre ausente embora jurasse a pé juntos que a sua presença era notada pelas aranhas que teciam teias que rendilhavam os cantos da casa.
- Mato - as todas à paulada, dizia ele cantarolando encostado ao lampião.
Posto isto, adormeceu envolto numas palavras que por ali passavam apressadas.
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