
poema sem pontuação, pelas margens do correcto
Data 08/07/2009 13:56:42 | Tópico: Poemas
| Eu quero o poema perfeito O poema declamado de rua em rua Nas vielas e ruas escuras Nos salões e palacetes Quero-o até nas casas de putas Onde o verbo no infinito Rima com a palavra foder Eu quero um poema sem rimas Sem margens e marginalizado Que cante o amor clandestino A liberdade de boca em boca Quero-o na boca da parteira Que desentranha a vida Na boca do coveiro Que a entranha na terra escura Eu quero um poema sem vírgulas Nem pontos finais quero-o Porque sim Quero-o na mão que estende a esmola E na mão que a recebe A generosidade da palavra No palato da sopa dos pobres Quero o poema na chama da lareira Quero-o no zurzir do vento norte Quero-o no estupor da criança De esperança estropiada De arma á bandoleira Quero o poema perfeito Arma de sempre Em desenhos de cavernas Porque em cada linha Ainda que corrida Eu leio o poema da vida Umas vezes triste outras alegre Mas o poema perfeito É a alma que se desenha E em cada alma escriturada Sou eu que renasço No prazer de a descobrir
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