
OS BARCOS NUNCA MORREM
Data 02/07/2009 17:19:38 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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Cadáveres de barcos, atolados entre a areia das dunas, não muito longe, da língua de água, do imenso mar, que já foi deles, vão-se deteriorando, aos poucos, por influência do sal corrosivo e da ferrugem, que de tudo se vai apoderando, sem piedade.
Enquanto isso, o mar, sempre inquieto, continua o seu vai e vem, constante.
Quem sabe, se por cada onda deixada, na praia, uma recordação, se agiganta, e, cavalos, de espuma, lembram de quando, os barcos, outrora fortes, singravam águas, ao sabor do vento e das marés, sempre pela voz do capitão e de seus intrépidos e fieis, marinheiros.
Mas é em chegando a noite, que, o vento, ao entrar e sair, pelos buracos abertos, na madeira ou no ferro, das embarcações, num rugir assustador, mostra bem, que a morte, de há muito, se fez presente, em cada uma delas, e, que, de pouco, lhes vale, a placidez e toda a beleza, do Oceano.
E nasce um novo dia. E, num último olhar, tendo o som do mar, por fundo, despeço-me, com toda a honra, destes baluartes, dos mares, de todo o mundo.
Jorge Humberto 01/07/09
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