
«« Saco de serapilheira ««
Data 29/06/2009 17:20:18 | Tópico: Textos
| Esvaziaste quase tudo Pegaste pelas pontas gastas e ressequidas Deste saco de serapilheira, que sou eu Sacudistes, até me da por vencida Não vale a pena fazer prevalecer os meus ideais Esses são meus, não me separarei deles jamais Quando nada faz sentido, tudo fica amarelecido Igual a papel envelhecido Num sem fim de razões, que nada mais são que, frustrações E depois… Tentas arejar a consciência, tantas vezes numa postura Em que te vês como vitima, escassa conveniência Aponto a pertinência A tua, que moldas cada situação, pela bitola da aparência Pela insegurança, no teu próprio eu Aponto a minha pertinência Que me perco na derradeira tentativa De te mostrar que nada é perfeito, muito menos O incerto da existência Mas tu não entendes, ou eu não te olho Ou tu não me olhas e eu não te entendo Assim passamos os dias Tentando cada um puxar a brasa à sua sardinha Pobres tolos, na tentativa de alcançar a derradeira felicidade Matamos a essência num rosário de amargura Que vai apertando o laço, subtil do fracasso Acabaremos por seguir em contra mão Cada um munido da sua razão, ataremos o saco de serapilheira Com a corda da ilusão, de seguida atamos-lhe uma pedra Para que ao afundar-se no mar do desalento, não mais se atreva A subir átona de agua. Finalmente dormiremos em paz.
Antónia Ruivo
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