
CINEMÁTICA DA LEMBRANÇA
Data 29/06/2009 11:40:30 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Deambulo meu faminto olhar Pelo infinito imaginário Que se assenta sobre o quarto:
Paisagem do intrínseco relicário ---- cujo fluxo, pensava eu, Encontrava-se definitivamente tresmalhado ---- Fecunda-me novamente o escalavrado ideário.
Aí, testemunho, vividamente, Como se estivesse de corpo presente, O embarque e desembarque dos entes Quais, em algum momento, Compartilharam o tropegar Da mesma ambígua e longa estrada
Para, bem no meio do percurso, Sem ultimatos, sutilezas nem prelúdios, Fragmentarem-se em intangíveis córregos, Congostas, vozes, brumas, arbustos e alamedas De destino errático, eunuco: A tremeluzente constelação De sombras e incertezas que pavimenta o humano mundo.
E quando regresso da viagem ---- liberto dos sortilégios da embriagante miragem ---- Procuro, conforme fosse prisioneiro Da sede de quem somente se sacia Sorvendo sofregamente O cristalino elementar liquido, A mádida égide do caseiro abrigo.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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