
Para vós, mulheres
Data 28/06/2009 15:21:04 | Tópico: Poemas
| Nasceram tímidas em sulcos inconfessos do viver, escravas dos dias possantes, calvas de terror místico ou húmidas de submissas, carne que o macho fecunda por capricho de a querer cativa.
Foram inatas germinadoras de reprodutores carnais, tão longínquas que nem sentiam o júbilo prazer subir nos ossos dos seus entalhes, apontados sem remorsos na obrigação de criar os seus.
Anos passaram. Séculos de desejo oprimido, cultos de mãe em templos de razão. Fêmea de um só mercador que a embriaguez sovava e vendia, ao preço de uma discussão sem diálogo, por um pouco de pão e dor.
Cresceram revoltas, motins de vergonha, pesadelos conquistaram um vazio que sempre foi seu, mas que a voz máscula confinou ao fracasso. Tornaram-se ousadas como os homens ousados foram, disseram ao mundo o sentido condigno do querer tão visível que os carrascos lhes foram comer à mão.
Quiseram ser grandes e foram enormes. Tiveram medos mas foram audazes, lutaram amarguras, decidiram momentos de decisão, e amaram os homens com gemidos de intimidade que eles jamais haviam amado.
Criaram seus filhos com o mesmo ensinamento de suas mães, gritaram trabalho e num rasgo de independência quiseram ser livres e foram a liberdade, a boca reivindicando igualdade. Foram a evidência das suas vontades, nos lábios dos severos justos.
… Numa admiração às suas vitórias tão duramente esboçadas quão difíceis de encetar gloriosas, a vingança tardia, de quantas inúmeras mulheres, por elas foram lápides antes da morte! Fossem os homens justos e nenhuma mulher seria a ausência…
… como foi possível tantos anos, tanto egoísmo se homem e mulher são diagonais da mesma ossada, que se interceptam em qualquer ponto de uma recta algures, onde a vida completa a vida!
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