
A DANTESCA VIGÍLIA INTANGÍVEL
Data 18/06/2009 12:43:48 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Há uma nuvem de sombra, de penumbra Acompanhando e norteando os nossos passos: Ela nos entuba a mente, Ministrando-nos latentes doses cavalares Da sua cara ordem ideal, formidável: Onipotente, onipresente, sodômica, noturna E opressivamente solar, diáfana, diurna, Soturna, elegíaca, sepulcral, gótica, Fimósica, femural, tumoral, plúmbea!
Há uma nuvem de sombra, de penumbra Acompanhando e norteando os nossos passos: Ela esventra e trucida Qualquer célula que a enxergue, Em sua forma legítima, E faça os pensamentos Lutarem pela perpétua Soberania da sua vida ignotamente augusta: Sim, esta, guarda a via proba, segura Qual nos leva ao píncaro nirvânico da mente mais ígnea, lúcida Cuja luz descerra o caminho para o sol da perspicaz ventania Que é o opalítico céu da sabedoria cor de Ametista!
Há uma nuvem de sombra, de penumbra Acompanhando e norteando os nossos passos: Ela nos nutre, nos edifica Uma ventura de anestésica servidão Ás Pátrias que estupram e silenciam A eloquente sinfonia onírica da estamental Simetria!
Há uma nuvem de sombra, de penumbra Acompanhando e norteando os nossos passos: Ela provoca a letargia vitalícia Do sangue da Filosofia, Corrente em nossas veias políticas E anuncia o óbito Da manancial dos autônomos sensos, Compondo-lhe uma sarcástica, Humilhante elegia, vil preito, música ferina: Erudita baixaria! Baixaria! Baixaria!
Há uma nuvem de sombra, de penumbra Dentro do templo do nosso crepúsculo: Ela urina, defeca e dá gargalhadas Sobre o nosso ideológico túmulo.
Há uma nuvem de sombra, de penumbra Que esgarça, flagela, molesta, domina, Insulta e, sádica, nos emprenha o mundo: Sujeitando-nos á sua pérfida e sicária cria de sanguessugas.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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