
The climb...
Data 16/06/2009 09:17:29 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Os pés estão pesados e já custa arrastá-los; Procuro um sentido para a vida que não quero viver Ando à procura de um destino que não sei se é o meu… Caminho na estrada em que sempre caminhei, Uma estrada fria feita de indiferença, Rezo para que não haja pedras durante essa minha caminhada; Porque quem arrasta os pés não consegue atravessar pedras…
O caminho é íngreme e é feito de indiferença, A indiferença que sinto por mim mesmo e pelo gosto de cada dia. Caminho só e sempre o quererei fazer só! Em tempos quis ter quem caminhasse a meu lado, Mas sei que agora nada disto faz sentido! Há mundos que estão destinados ao abandono E eu carrego em mim infinitos mundos Demasiados para alguém poder amá-los a todos. A minha derradeira vontade era ser criança novamente Ter nos olhos a ignorância do mundo E saber apenas o que sei e não me preocupar para além disso Pensar que um gesto é apenas um gesto e nada mais… Gostava de não eu e viver uma vida sem pensar em ser eu Ser mil uma pessoas diferentes, Ter milhões de feições e viver intensamente milhões de momentos Até deixar de ser eu…
Sonho o dia em que a minha estrada acabe! O dia em que finalmente consiga alcançar a paragem do autocarro Todos os dias tento lá chegar andando rápido, Correndo ou até mesmo sonhando; E todos os dias eu falho e nunca lá chego Todos os dias eu me questiono: Porquê? E fico aí perdido no caminho dos meus infinitos mundos… Todos os dias eu tento; Deixar de ser eu para voltar a ser eu. Talvez tenha nascido no mundo errado, no tempo errado; Ou mundo e o tempo errado é nasceram em mim… Já nem sei dizer, porque eu nunca aprendi a dizer nada!
Todos os dias eu espero à porta de casa Pela borboleta que me agradeceu a liberdade E veio morrer olhando para mim… Talvez ela soubesse quem sou E num gesto de despedida e de pena Olhou-me talvez nos olhos e compreendeu o meu destino! Ficar entre os milhares de mundos que construi Feito um tolo e sem compreender bem porquê. Foi ai que comecei a viver nos sonhos o real; E no real transpus os sonhos e vivi-os como nunca quis viver!
Tambores tocam e chamam-lhe otite Tambores tocam e eu choro no escuro, A minha mãe corre e vem acudir o menino especial O menino que o destino quis marcar diferente; Com uma pele seca e sem sentimentos E um olhar negro e incompreendido e cheio de lágrimas por chorar… De olhos vendados procuro amor Palavra tão estranha e já sem sentido Na minha memória ficou aquela velha escola primária Onde um menino de olhos negros encolhe-se a um canto Por ser diferente e ninguém o aceitar pela diferença (A diferença está nos olhos de quem a vê!) Incompreensível e incompreendido!
Aquela escola onde nunca me vi partir, Para além do real e para além do que sonhei Anos perdidos diante daquele portão esperando algo que nunca virá Tu embrulhada num vestido branco feito de ilusão de felicidade O vestido que prometi um dia dar a alguém. Mas foste embora e perdi-te o rasto para sempre Procuro nos rostos da rua e do mundo Os teus eternos olhos azuis, Os teus lábios rosa e teu cabelo preto de escuridão; A mesma escuridão em que me perdi e perco Criança adolescente e adulto! Chama-se Maria e foi o primeiro amor A primeira memória, o primeiro beijo nunca dado; O primeiro sinal…da diferença…
Hoje em dia dizem que estou mais bonito… Finalmente! Depois destes anos todos finalmente apareci! E eu a pensar que já existia desde que me lembro de respirar… Tão tolo que sou! Talvez tenha estado encurralado entre os meus infinitos mundos E só agora descobri a chave da porta que dá para o mundo exterior… O mundo exterior é tão mais feio que aquilo que eu pensava E tão mais fechado e só que a solidão em si própria…
Será que só agora nasci? Será que só agora comecei a pensar? Será que só agora sei quem sou? Ou será que tenho estas eternas dúvidas Para sempre sem resposta nenhuma? Estas dúvidas são apenas mais um reflexo de quem está louco! E eu estou louco! Louco desde que nasci agora! Estarei sempre condenado à loucura; A loucura de quem vive esta triste realidade Imaginada e presa entre infinitos mundos…
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