
Sociedade Anónima
Data 14/06/2009 00:12:17 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Sócio fundador. Camisa azul a rigor, Primeiro accionista E pai da seita cotada.
Decidiu expandir o seu negócio Pautado por rigidez de preços.
Sócio número dois. Camisa cor de rosa Sobre calças brancas. Carregava a mala Maior que o seu poder Sobre os seus finos ombros.
E assim ela se apresentou. E valorizou. O sócio fundador Deu quarenta e nove Em cada cem das suas queridas acções. Sem condições. Sem coacções.
Ai, o sócio número dois. Que sorriso apaixonante. Pouco batom e muita conversa, Um pouco a figura inversa Do investidor habitual.
Ai, aquele sócio número dois. Causava tremendas reacções, Aquele sócio que piscou o olho E fugiu com as acções.
Tinha um penteado estranho. O feitio também o era. Mas tinha no coração a essência Que traiu o fundador E entregou tudo à concorrência.
O fundador chorou por ruas e travessas A perda das suas queridas acções. E do sócio número dois. Ai... o sócio número dois.
Pouco tempo depois, O mercado desabou E a prospecção de fundadores Rapidamente acabou.
O mestre criador, Embriagado na sua meia pobreza, Sentou-se à mesa para discutir Um negócio sem importância.
Potencial sócio número três. Nariz empinado, Cabelo curto e certinho... Olhar arrasador. Meu Deus, aquele olhar! Tinha potencial de crescimento E também a cor azul do mar.
Sorriso, olhos nos olhos. Sorriso que não quebrava, Desafiando as leis do tempo E da sensatez. Sorriso entre dois ombros Cobertos de branco, Menos branco que neve, Mais branco que preto.
Mas o fundador, teimoso como é, Decidiu de boa fé Não vender o que tinha. Sabia que depois vinha A perda do controlo da empresa.
Uma empresa chamada coração, Partida em duas partes quase iguais. E o fundador não podia dar mais.
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