
Liberta...
Data 23/06/2006 15:10:00 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Livra-me do seu sentimento de posse. Amar, não sabe o que é. Livra-me do seu moralismo vil. Honra, nunca tivestes.
Ris da dor alheia Mas não suporta a tua própria Engenhava-me mais sofrimento E tivestes minha devoção!
Chama-me verme Julga-se forte, viril. Mas faz-me seu escoro Seu chão, para que pise, pise...
Só sabe ploriferar o medo Ganhas-me no grito Violenta minhas entranhas Sempre que se sente só
Eu que parecia lhe dever Nunca ousaria seus olhos Dei-te a submissão Fui-te um depósito de gozos, esporros...
Era só o que valia Só o que me fazia valer Diante de um semblante psicótico Acompanhava-me da incapacidade
Almejar-se-ia seu reconhecimento Se não lhe descobrisse agora Tão fraco, tão fora. De realidade que ainda desconheço
Tu foste meu primeiro, meu único. E com mãos de ferro Marcava-me com sua brutalidade Com prazer em me sangrar
Jamais saberia ter força olhando estas marcas Não poderia sequer tentar fugir De sua presença negra e duras palavras Mediante suas perspectivas
Nunca tiveste um horizonte Não me mostraste as rosas do mundo Deixara as pétalas a outras E me enfeitava de caules e espinhos
Acostumaste-me a pouco amor Mas minha alma já cumpriu sua sentença Agora que com fôlego caminho para a luz Sinto-te ainda mais agressivo
Nunca me ganhaste Não me amedronte Mesmo em flagelos irei recomeçar Aqui ou em qualquer lugar
Vou curar minhas feridas Com minha saliva Tenho a mim E isto me basta
A dor me abriu os olhos Vejo-me tão capaz Vejo que te suportei além Sozinha será mais brando.
Suas ameaças já não me martirizam Tão pouco o cumprimento Nunca tive nada a perder Não me destes nada
Vou antes de tudo acontecer Antes que nada se faça Ainda que respiro Agora que me livro...
Então dormes homem Que ontem foste digno do meu amor Dormes que enquanto isso Vou para onde não alcance seu cheiro
Que seja embalado em sonhos malditos De murmuras e lamentos E que quando desperte Tenha uma vida em sofrimento
Aqui jaz tudo que fui pra ti Neste ímpeto de coragem Deixo-te, a querer que esqueça. Que um dia existi...
Senhora Morrison 30/05/2006
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