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Data 10/06/2009 12:21:58 | Tópico: Prosas Poéticas
| Não me olhes, não vejas a transparência da morte que carrego, Não essa morte, que costumas chorar, não, a morte do meu pensar. Pensar, a força que me fez caminhar, novos matos desbravar, mas, Cansei-me de raciocinar. Porquê perder tempo, fazer-te perder tempo, com, Ideias que nem eu entendo, com motivos que me afastam, Sempre e sempre mais, da existência consensual, do que se diz normal, Não percas tempo, passa, corre nas asas do vento, esquece o meu lamento, Nada mais é, que simples tormento, tentando mostrar o que não é, Corre pelo descampado da existência, procura a tua conveniência, e, Não olhes, não vale a pena, ter pena. Talvez valha a pena ter medo, do dia que vai nascer, da morte que chega sem bater Da solidão desmedida, de quem cala e diz amem Ao delírio, daqueles que nos julgam, que nos empurram, sempre e sempre, Mais p`ro fundo do grande buraco sem fundo, a que chamam, clemência. Pergunto quem me olha na sobrevivência.
Antónia Ruivo
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