
O dia em que eu chorei para dentro...
Data 09/06/2009 11:32:38 | Tópico: Poemas
| O dia em que eu chorei para dentro foi-me fatal. Essa manhã acordou já húmida, o Inverno agarrara-se a fiapos de nevoeiro, tentando aquecer-se, mas o efeito foi o contrário: fiapos de algodão levados a frio extremo transformam-se em agulhetas de gelo... que ferem, que fazem sangrar... Mas foi a humidade que me danificou, mais que o frio. O frio foi até meu amigo, paralisou-me, ficou ali comigo, petrificou-me, como se quisesse que a Dor passasse por mim sem me notar... A humidade foi-me cruel fatalidade. Não aquela que pingava na visibilidade do ar, cá fora! Não, essa não. O problema foram as lágrimas quentes, que, trementes e tementes do frio cá fora, se recolheram aos meus olhos e me caíram para dentro... Não sei bem que dano irreversível me causaram, sei lá, um curto circuito interno, sei lá!.. Sei que nunca, nunca mais, consegui voltar a ligar a alavanca de Arquimedes, e erguer-me acima do nevoeiro... ...e o sol que consigo, é sol inventado, algures entre uns olhos de mar e uns olhos de mel... e um bater de asas de anjo...
(relembrando...)
INFILTRAÇÃO
Sinto a minha alma molhada, Empapada. Acho que o meu coração cedeu, Rompeu... E uma infiltração difusa Escorre por fenda obtusa. Será chuva?
O meu coração é um charco, Um barco Sem fundo e sem vela, Aguarela Sem cor e sem vida, Mera força amolecida... Naufrago?
A minha alma apodrece, Esvaece. Do coração trespassa, Perpassa, A humidade que mina O alicerces da ruína... Será só orvalho?
O meu coração goteja, Mareja, Molha a minha alma frágil, Intáctil. E rios de cristal fluído Aquecem-me o olhar perdido... ...São lágrimas! (A minha Dor começa por D... Diana...)
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