
Falemos de flores, agora…
Data 04/06/2009 21:31:07 | Tópico: Poemas
| Vou falar-te de flores, agora daquelas flores lânguidas, róseas e ácidas às vezes, caídas dum terraço ajardinado alvo de branco puro caiado a espraiar-se para o azul acetinado do Tejo.
E ao fundo, sempre ao fundo, há uma viela escura de sombras caídas para os degraus graníticos desgastados, como a vida, das velhas varinas aí residentes. No seu rosto curtido pelo sol e sal salgado da brisa do mar há palavras que não precisam dizer nem falar do suor que verteram em lágrimas que nem sempre foram as flores de que te falo agora.
Vou falar-te de flores… Falemos de flores flores que sejam vermelhas sem serem de sangue vertido em campos de batalhas.
Sem serem aquelas flores depositadas em campas amortalhadas. Flores que sejam rosas sem espinhos amarelas lilases brancas vermelhas dum vermelho puro e virgem de todas as cores. Como aquelas doutros tempos que colocavas nos anéis dos teus cabelos loiros dependuradas.
Flores doces que derribem desses terraços e bordem o branco caiado dos muros e manchem e acolchetem as pedras do chão das ruas empedradas e apaguem todas as dores.
Falemos de flores… Rosas, malmequeres, margaridas do campo de pétalas suaves a bordejar a tua blusa de organdim quando, em queda livre, eram levadas contigo, pela aragem da tarde que guardavam em segredo o medo do nosso último beijo ao fugires de mim.
Pétalas que nós arrancávamos num mal-me-quer bem-me-quer desesperado num olhar envergonhado em interrogações inquietantes inquietas ausentes, de olhos pregados no chão e pensamento perdido num horizonte ébrio e sem tréguas.
Deixa que te fale de flores, agora como antigamente… com calma, calmamente e doçura. Escuta-me sem nada dizeres. Respira apenas… Com a tua boca à minha colada respira. Sorve-me o ar sente que leva consigo os sonhos que soltámos em cada pétala caída nesse mal-me-quer bem-me-quer desesperado das flores que desfolhámos na vida.
|
|