
Desequilíbrio
Data 29/05/2009 01:52:39 | Tópico: Textos
| Foge-me a razão. Passa por mim, não pára e cai no contrário. É possível ser e não ser. A intermitência vaga da ponderabilidade assusta-me os ouvidos. O pânico é uma faca que me desata a língua. Fecho a boca para não me ouvir. Ferro os dentes mas as palavras engolidas escorrem-me nos olhos. Mas não me escoo neles, que o medo gela todo o meu espaço. Petrificada na consciência do sal que me cobre o rosto, na pele do meu tempo, fico-me estátua. Passa-me nas mãos um arame sustento que me rasga os pulsos. Sinto a cruz dos meus ossos em equilíbrio precário. Se a leve brisa do saber me toca quebro-me. Se não toca perco-me.
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