
MANHÃS ANTIGAS
Data 27/05/2009 19:47:08 | Tópico: Prosas Poéticas
| MANHÃS ANTIGAS
Relembro manhãs antigas em que o sol entrava, sem entraves de cortinas, no silêncio do meu quarto... Havia tanta música no silêncio desse tempo, tanta paz, tanta harmonia!...
Era o cuco, ao longe, a anunciar que "a fim do mundo" não viria entre Março e Abril... Os chilreios pendurados nas árvores vizinhas, a ensaiar sinfonias de Verão... O ronronar dos atomizadores, ao longe, na árdua profilaxia dos míldios... O zunir pachorrento de uma mosca, em acrobáticos voos de rotina... Um chamamento, ao longe, da janela para a vinha em frente, musicado pelas ondas da distância quieta, cristalina... O suspirar doce das rosas, em perfumada agonia, na jarra sobre a cómoda... E o barulho mudo das partículas pacíficas, mansas, da poeira caseira, a bailar evidências fugazes, suspensas na ribalta de um feixe de sol...
Relembro o silêncio antigo do meu quarto e lembro, de fresco, de agora: a paz não é feita de silêncio puro... mas do silêncio inocente dos sons que já não há...
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