
QUE RAIVA!
Data 26/05/2009 21:12:43 | Tópico: Textos
| Estou doente de raivas. Só vejo esquinas e para lá delas vazios. Esses têm espinhos que viram tripas com olhos. Há fogo no canil. Salve-se a colecção de ossos danados e a gamela das dentadas. Chega a concorrência dos ratos a morder calos e a engolir brasas. O inferno garimpa na testa. A esmola é uma naifa de dois bicos. Trocos caem em saco roto. A mentira é um balão ensaboado. Enche a língua de estrias e pela calada esfuma-se. A desculpa estúpida manca a sete pés no dorso de um porco. Já não lhe vejo o rasto, mas sinto-lhe o rosa louco. Doente, a palavra, derrete-se num copo de azia. Há quem beba e não confesse. Estou lá no alto e salto de olhos fechados agarrada à gravata da razão. Faço-me cabra e berro de pulmões abertos. Mas ninguém ouve, e os tímpanos estouram-me nos olhos… Cheira a mofo dentro da minha cabeça. Apago-me.
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