
Busco o regaço das esquinas
Data 29/05/2007 15:40:32 | Tópico: Poemas -> Amor
| Ergo-me num plano amplo, largo e lácteo, de um céu bolinado às torrentes do teu olhar.
Elevo-me amuralhada em grades de cimento na noite incendiada dos meus olhos, com um sorriso dionisíaco de quem escolhe arestas, de quem recolhe vampírico sangue da fonte salgada das palavras e delas, sequioso, abocanha o alimento essencial em maternal seio.
Ergo-me, neste enleio, num adeus de mim vazio, ao mistério alterado de um rio a correr p’ra norte Em busca de si e do seu veio Em busca de um colo De um fértil solo De um abraço inteiro, de um só beijo, ardente.
Busco o regaço das esquinas, ávida, descalça e nua, nas ruas e nas rugas abertas ao vergão das lágrimas. Estas, depositadas aluviões em tuas margens brandas. Lágrimas inócuas, invisíveis, incolores, interiores. Quinas cristalizadas d’ansiedades, d’ agonias – somatórios maiores de milenares dores…
Finda marioneta, alteio-me por fim elevada, amor, na grua manifesta da tua mão, no devaneio silenciado em porão, no desejo do teu cio, de ser proa, vela, casco…ser cais ou ser navio.
Deste promontório, olho o mar. Alteio-me num plano dilatado, vasto e cândido, de um céu bolinado às vagas marinhas do teu olhar.
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