
A IMPORTÂNCIA DO LEITOR
Data 09/05/2009 17:29:29 | Tópico: Crónicas
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A liberdade de escolha (concordando ou não), quanto às preferências, de leitura, de nossos leitores, só a eles lhes assiste, enquanto a nós, poetas, cabe-nos persistir, entre o amor e as injustiças, nada omitindo ou floreando, ao deixar de tratar as coisas, pelos seus próprios nomes, por mais que doa, o retrato fiel e doloroso, que está por todo o lado, para onde quer que nos voltemos.
Confesso (de maneira a ficar de bem, com a minha consciência), que lendo as estatísticas, certo desgosto, apodera-se de mim, ao reparar, de punho cerrado, que os leitores, deixam de lado, sistematicamente, poemas que falam ao mundo, sobre a triste e vergonhosa realidade, de muitos países, assolados pela fome e pela guerra, ficando assim sem saberem, o que se passa de facto, para poderem formarem um ideia mais concreta, do mundo, do qual todos nós fazemos parte, disso não olvidando nunca. E ante a natural indignidade, espalharem a palavra, pelas escolas, trabalho e amigos, lembrando-lhes que, todos os cinco minutos, em África, morrem quatro crianças inocentes, por má nutrição e falta de medicina, que nós, no Ocidente e outros países desenvolvidos, temos de sobra.
Vejo também que, tudo que seja reflexão ou pensamento, que apenas expõe, a opinião do poeta, e, a quem lê, toda a liberdade, de dialogar consigo mesmo, reafirmando ou ajustando, o que têm por certo, é coisa sem importância, para a grande maioria dos leitores. Assim mais inconformado fico, quando, perante, o que eu acho, por injustificado (quem não lê, sobre todos os temas, fica a meio caminho), consternado, vejo-me obrigado a aceitar, que apenas, se dá atenção, a poemas, sobre sexo e amor, de alcova.
Mas como disse, livre é o leitor, ante aquilo, que resolve ler ou simplesmente ignorar. Ao poeta, a responsabilidade, de um dia vir a mudar tal situação, e, escrever, escrever sem parar, a complexidade, deste nosso pequeno, mundo, mas que tanto tem para nos dizer. Por fim, para os mais acérrimos, nestas coisas da leitura, dizer-lhes, que, sim senhor, também eu escrevo, sobre o amor, que de amor, seria o mundo. Mas não é. Penso pois, caber-me algum respeito, ao por mim delineado, sobre o que penso, deveria ser, a conduta, a ter, de agora em diante, por todo o leitor, de poesia e demais escrita.
Jorge Humberto 08/05/09
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