
O Vale da Esperança
Data 26/05/2007 17:40:43 | Tópico: Contos
| Era um planalto coberto por mantos verdejantes, Banhado por um rio de águas cristalinas, puras, Cheio de vida e paisagens estonteantes, Onde as variadas formas de vida, se sentiam felizes e seguras.
As flores eram abundantes, As borboletas dançavam em seu redor. Os raios de sol, quentes, abrilhantavam todo aquele esplendor, E no ar,um perfume delicioso, inigualável a qualquer outro odor.
Tanta beleza!Perfeita procriação da mãe natureza.
Local preferido pelos anjos, o qual lhe apelidaram por Esperança.
Mas um dia a fonte ressequiu e o rio, lentamente, secou. Tudo à sua volta foi esmorecendo, O que outrora era verde ou colorido, mirrado, tombou. O que era vivo, sem ânimo e apoderado pelo desalento, foi morrendo.
Do planalto,sobrou uma paisagem desalmada. De terra árida e rasgada. De tudo o que dantes espelhava magnificência e perfeição, Não restou nada! Apenas uma memória de outrora cravada no chão.
Os anjos, apoderados pela melancolia, Regressavam lá, ao amanhecer, a cada dia. Observavam estupefactos, sem acreditar. Interrogavam-se sobre a fragilidade da vida.
Foi então que um anjo apoderado pelo pesar, Soltou uma lágrima contida, Uma e outra começaram a rolar. E quando menos se esperava, estavam todos a chorar. Choravam desenfreadamente, Pois quem poderia ficar a tal calamidade, indiferente? E quanto mais choravam, menor era o seu constrangimento. Suas almas ficavam leves e seus corações aliviados.
Suas lágrimas, libertadoras de pecados, Foram caindo na terra árida, e uma a uma, Sementes foram germinando. A fonte transbordando. O rio voltou a correr. A vida foi brotando, a vegetação estava a renascer.
Os anjos, chorando, sorriram, Invadidos por fé e confiança, Sabiam que levaria muito tempo, Até o planalto voltar a ser o mesmo. Mas não tinha sido à toa, Que o tinham apelidado de Esperança!
Nem de tudo se sabe a razão, Ou se pode compreender, O essencial é a aceitação, Quando não há mais nada a fazer!
Mas se vires que há uma réstia de esperança, Agarra-a com as duas mãos, E luta com garra e convicção, Liberta a tua mente e ouve o teu coração.
E se por momentos o mundo para ti cessar, E tudo á tua volta parecer desabar, Não te feches, solta-te, tem confiança, Confia eu ti mesmo e não tenhas medo de chorar!
Chora…
( Vania Brasil)
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