
Acréscimos e desenganos
Data 06/05/2009 23:33:14 | Tópico: Prosas Poéticas
| Acréscimos e desenganos
Meus vasos ainda restam na janela, Algumas flores esmaeceram, noutras uma solitária abelha faz incessante ronda... Pensei em regar. No verão secam os verdes, por vezes abro a janela à espera dum gotejar, e esvai-se o dia. Meus potes abrigam uns raros dedos de água. Guardo para quando a madrugada chegar assolada pelo calor que me faz encharcar o roto lençol, revirar na cama e revolve-me as entranhas.
Acho que tenho febre.
Os infecundos rios aparentam uma aridez imperturbável que aniquila meu interior. Deixei para trás confortáveis alcovas arejadas, Elas deixaram que eu me fosse, Houve luzes e candelabros, baixelas e sutilezas,
Era um tempo de água em profusão,
Molhava, banhava, fruíam rios plenos e navegáveis,
Reconheço que o tempo reparte-se entre acréscimos e desfazimentos, Hoje sei reminiscência, resta-me a cor do delicado beija-flor, Resquícios de memórias, água límpida, verde lustroso, são atrevimentos que ficaram para trás. Acomodo-me com a pequena abelha que persevera em reviver o que no vaso sobeja.
Líquidos são suores e lágrimas.
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