
Ao que tudo indica a sativa cativa
Data 14/05/2009 16:21:51 | Tópico: Poemas -> Droga
| A noite de ontem parece-me longe demais e o acordar de hoje torna o ontem um sonho distante. Sem falta de motivos para sorrir faço-o e a chuva agradece-me regando um jardim que faço meu. As rotinas do dia servem apenas para me lembrar o quanto quero quebrar com elas. Sem pressa faço o que tem que ser feito e só depois me sento/sinto em paz. As amarras emocionais pedem contactos sociais que eu atraso em matar. Sensatamente escolho parar um pouco para sentir sem pensar. Agarro a minha alva viúva e com carinho e todo o tempo do mundo esmago-a com os meus dedos tão antigos quanto curiosos. Sem cuidar que o faço cuido de muitos enquanto parece que nada faço. Embrulhada a viuva na alva mortalha páro para pensar no muito empenho colocado neste híbrido vegetal. Como uma familia pode tomar tantas diversas formas e conteúdos sem perder a essência e potencial. Como apesar da vontade do sistema em esconder certas verdades a Natureza tem sempre as suas/nossas armas e quando o tempo deixa de ser importante a mudança passa a ser um facto. Dou por mim a divagar fora das palavras e do tempo montado no fumo sagrado. Esquecido de mim e dos outros consigo ver mais claramente o que me rodeia. Pregando o meu ego numa cruz antiga e lírica cuspo-lhe na cara chamando-lhe bastardo. O Amor não veio de mim ,mas um dia apanhei boleia de alguém e não mais saí do barco. Cativo dos tempos que passo comigo repouso no cinzeiro este facho encantado e sou aquilo que me toca sem nunca me perder. Indicando portas que sempre lá estiveram mas nas quais já me aborrece entrar. Escondido atrás das dores que já aprendi a amar justifico a minha tendência para a contemplação e inspiro novamente. Depois de ler mais uma parga de noticias vindas dos mais diversos quadrantes, em várias linguas e com diferentes contextos sociais e culturais reparo que são a mesma chusma de mentiras deslavadas que já estamos habituados a tolerar. Sem me preocupar muito ou pouco com essa merda, levo a mão ao cinzeiro e fujo daqui. Depois do bem e do mal, da verdade e da mentira, do branco e do negro, há um campo verde e tranquilo, sentado numa pedra estou eu a fumar.
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