
A todas as mães (Dois poemas)
Data 03/05/2009 08:31:05 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Estes dois poemas são inteiramente dedicados às mães.... às que felizmente podem usufruir deste dia com os filhos, e as que infelizmente os perderam um dia...
Mãe…
Mãe… Quando tu partires… Quem me acolherá nos braços? Quem me contará as histórias Que só tu sabes contar? Pois foste tu que as contaste, E que as escreveste no teu coração Só para mim… Só para eu as ouvir… Mãe… Quem passará as mãos nos meus cabelos Quando os dias cinzentos chegarem, Para me assolarem com os seus trovões? Quem ajeitará os lençóis da minha cama Quando o frio desejar a minha pele? Quem me beijará o rosto Com mil palavras de tranquilidade? Quem acalmará o meu coração? Dizendo que os monstros Só existem na imaginação? Quem passeará comigo Por lindos jardins de amor Pelas longas praias do teu coração? Mãe… Quando tu partires… Quem me deitará sorrisos simples Quando o meu infantil coração deixar As lágrimas lavadas do meu sentimento Escaparem por entre os meus olhos? Quem será que fará tudo isto? Ninguém minha mãe… Ninguém! Pois quando tu partires Partirei eu também!…
Razão de existência… (A pior dor do mundo)
Sou fantasma! Fantasma de mim próprio e de um mundo… próprio de mim… Sou daqueles fantasmas que gosta de voar… Voar até ao nada e até ao infinito Viajo pelo mundo inteiro Desde o mais lindo jardim à mais humilde e solitária flor… Desde a mais humilde casa À mais luxuosa de todas… Viajo para onde sinto amor E por onde me magoa a dor… Seja por onde for… Eu posso lá estar
Mas desta vez voei até um sitio onde nunca pensei voar Ao mais bonito jardim da mais bela casa que alguma vez encontrei Tudo era belo!... Haveria nesta amor de certeza! Mas tudo o que lá encontrei foi lágrimas e tristeza… Lágrimas de um belo sentimento de uma infantil saudade prematura… Encolhida a um canto de um quarto rosa sombrio Uma linda mulher… Na porta li… um nome jamais esquecido Em frente da porta, lá bem no cimo um relógio de cuco cantando tristeza O seu pêndulo batendo como um frio coração… Ao lado palhaços sorrindo sem expressão…
A lua vai iluminado todo este quarto Uma pequena cama ao fundo de lençóis ainda amarrotados… Lençóis cor de rosa… Sinto o meu coração cair aos bocados em cada palavra que escrevo… Esta tristeza faz-me voar para um vazio ainda mais triste… Voar; para dentro da bela mulher Sinto a sua respiração; respiro com ela… Sinto as suas emoções; choro com ela… Sinto os seus pensamentos; chamo a morte dela…
Ao fundo o riso de uma criança… Levanta-mos a cabeça para ver a apenas ilusão… O choro torna-se mais intenso, mais surrealista!... Olho para as molduras ao lado da cama… ornadas…de vazio… As memórias vêm à cabeça como retratos de luz… Os passeios Os dias na praia O sol do fim de tarde… Os sorrisos… “ ─ Amo-te mamã…” As lágrimas choram o sangue da madrugada… Fecho e abro os olhos carregados de revolta… Fecho outra vez…
Quando os abro, talvez uma última vez Estou novamente à porta diante da chorosa mulher Aperto os dedos sentindo raiva para com o mundo como se continuasse na mulher Sinto um cabo de madeira e uma lâmina fria na minha mão… Aproximo-me da mulher… Ela olha p’ra mim sorrindo como se me vendo… e como se esperando por mim… Fecho os olhos uma ultima vez… E apesar de ser apenas um fantasma… Sinto sangue beijar-me a face Como em jeito… …de agradecimento… …
Por: Tiago Freitas
|
|