
Idólatra, Pecador (Sete Religiosos Pecados Mortais)
Data 01/05/2009 11:37:08 | Tópico: Poemas
| Mastiguei a vida num só dia, Por medo de não mais haver, De outros comerem o que havia, Aqui, no fim do mundo, perecer.
Pequei por fome, por gula, Por insanidade egrégia, sã, Do papismo que não me postula Régio fim de esperança vã.
Saqueei das almas para mim Por saber a minha impura Feita do chão donde vim, Da terra livre, mal segura.
Pequei por pobreza, por luxúria, Por maleita de febril ouro, Condenei-me na mão firme da cúria Deitada vil sobre meu tesouro.
Fiz meu todo o teu, De letras ou palavras A vida que me mereceu Em terra que me lavras.
Pequei por esquecer, por ganância, Ter tudo que mais te importe De filho meu sua infância De mundo teu toda a sorte.
Prendi o vento nas minhas velas E adormeci no seu doce cantar, Foi nesta manha que me revelas Que te obriguei, Eos, a remar.
Pequei por vontade, por preguiça, Na mesquinhez do divino abastado Escravidão de outros, permissa, Em dor de corpo chicoteado.
Nomeei-me deífico Apolo, Espelho de todo o querer, Bicho-Rei deste subsolo, Fonte da vida, nascer.
Pequei por ser vulgar, por vaidade, Reles instrumento, prego de cruz Ícone morto de igreja, irmandade Olhos que ardem nos infernos, nus.
Fiz a guerra por me zangar a paz A terra por me cansar a vida, Agora, desde tempos de rapaz Sinto-me de alma perdida.
Pequei por sorrir, por ira, Por não ser feliz neste caminho Que me leva louco à flamante pira Ódio alimentado nesse tanto carinho.
Roubei amor entre amantes Seus corpos suados de sexo, Safiras e brutos diamantes Lapidados em formas sem nexo.
Pequei por diferença, por inveja, Destrui de ti o que em par é igual, Melhor que eu mais ninguém se veja Tudo o que há, quero, ponto final.
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