
MÃE NOITE
Data 29/04/2009 16:35:05 | Tópico: Prosas Poéticas
| Adormece-me, mãe!
No limiar da luz, encontro-te o manto negro que me é pão... Encolho-me, colhida de fresco duma Primavera inacabada. E, como feto adormecido, aninho-me no teu útero de mãe. Ríspida, às vezes. Sempre protectora... até nos gritos mais uivantes dos lobos lá fora. Levas-me ao colo, e deixas-me sonhar prados que me ofuscam , de tão verdes... Mas a esperança, a esperança, negas-ma sempre, poupando-a para a manhã que me teces, com primores de mãe extremosa... como se poupá-la fosse preciso, para se cumprirem as horas arrastadas pelos becos que atravessas comigo... Como se poupá-la fosse preciso, para se cumprir o amanhã!
..e levas-me no ventre, arrastando-te até ao fim de um túnel onde me deporás na luz...
Amanhece-me, mãe!...
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