
A Gentil Camponesa
Data 23/04/2009 08:34:49 | Tópico: Poemas
| MOTE
Tu és pura e imaculada, Cheia de graça e beleza; Tu és a flor minha amada, És a gentil camponesa.
GLOSAS
És tu que não tens maldade, És tu que tudo mereces, És, sim, porque desconheces As podridões da cidade. Vives aí nessa herdade, Onde tu foste criada, Aí vives desviada Deste viver de ilusão: És como a rosa em botão, Tu és pura e imaculada.
És tu que ao romper da aurora Ouves o cantor alado... Vestes-te, tratas do gado Que há-de ir tirar água à nora; Depois, pelos campos fora, É grande a tua pureza, Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça, Exposta ao sol e descalça, Cheia de graça e beleza.
Teus lábios nunca pintaste, És linda sem tal veneno; Toda tu cheiras a feno Do campo onde trabalhaste; És verdadeiro contraste Com a tal flor delicada Que só por muito pintada Nos poderá parecer bela; Mas tu brilhas mais do que ela, Tu és a flor minha amada.
Pois se te tenho na mão, Inda assim acho tão pouco, Que sinto um desejo louco: Guardar-te no coração!... As coisas mais belas são Como as cria a Natureza, E tu tens toda a grandeza Dessa beleza que almejo, Tens tudo quanto desejo, És a gentil camponesa
António Aleixo in "Este Livro que Vos Deixo"
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