
E partiu!
Data 19/04/2009 08:01:50 | Tópico: Prosas Poéticas
| Chovia torrencialmente! Ficou dentro do carro a olhar o mar, como ela gosta. Não viu as horas nem ao chegar, nem quando foi embora. Ela não vê as horas; há momentos de felicidade em que não há nenhum relógio capaz de os captar: umas vezes tão pequenos mas que valem uma eternidade, outras , sendo uma eternidade, parecem-nos infinitamente pequenos!...
Aqui ficou, com o corpo preso a uma argola do carro . A alma, essa começou por perto, enquanto observava o rebentar forte das ondas. Formavam espuma branca quando sacudiam os rochedos e apaixonadamente deitavam-se com a areia. Depois, perdida no tempo e no espaço, voou numa nuvem, numa nuvem negra. Que importa se a nuvem é negra e não é uma nuvem de algodão? Não são as nuvens negras que nos dão a vida e nos refrescam o coração?
E partiu!... Partiu naquela turbulência tão forte que chegou a ter medo, naquela viagem tão aventureira. As nuvens negras abriram uma guerra, uma guerra no céu!.... Juntou-se-lhes a outra nuvem, em guerra aberta, numa tempestade tropical sem igual. Lutou ao seu lado, no meio daqueles trovões e relâmpagos com uma bravura e emoção nunca sentidas. Às vezes é necessário sentirmos emoções fortes, para que nos possamos sentir vivos!
Em breve a nuvem se desfez em água quente e naquele sonho foi cair na terra vermelha, a ferver, onde já fora imensamente feliz.
Mas voltou!... Voltou, enrolada em tule branco, como em véu de noiva, naquela nuvem que se formou na terra vermelha. Levitou. Juntou-se ao corpo. Soltou-o da argola.
O corpo sorriu para a alma, como que a dizer: “ Não precisas de me pedir perdão por me teres deixado sozinho, vai sempre que queiras; eu já estou habituado a que me deixes só, alma sonhadora!...”
Ligou a chave da ignição e despediu-se do mar e daquela praia, onde foi tantas vezes feliz.
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