
A QUEM SE DIGNE LER A REALIDADE DA VIDA
Data 14/04/2009 13:57:01 | Tópico: Poemas -> Sociais
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Num peito seco e sem leite, demasiadamente emagrecido, à falta de alimentos e de vitaminas, uma mãe, puxa para si, seu filho, para que este, num último esforço, consiga, de algum modo, um pouco, da seiva tão necessária.
Não tendo, o tão precioso leite, para lhe dar, a mulher, de tristeza nos olhos, vê seu menino, adormecer, boca nos seios sem vida, de onde escorre, um misto de aguadilha e espuma. Insectos invadem o corpo e o rosto da criança. Enquanto a mãe, com as costas de sua mão, os afasta, do sono do menino, embalando-o, com ternura comovente, em seus braços, pouco mais que pele e osso.
Por toda a tribo, se vê esta desgraça sem fim, afronta das afrontas, para qualquer ser humano, sendo, que é de mães, que não mais podem alimentar seus filhos, vendo-os morrer, em seus braços, de quem se fala, nestes meus versos inermes.
E, quando a morte, chama os pequenos seres, as mães batem na cara e rasgam suas roupas, por não se acharem merecedoras, desta vida, vendo seus filhinhos partirem, carne de sua carne.
Seu choro, há muito lhes travou, no nó da garganta. Então gritam e suplicam, a alguém, que nunca virá.
Jorge Humberto 13/04/09
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