Uma dor incómoda

Data 11/04/2009 14:26:12 | Tópico: Crónicas

Estes pensamentos foram-me sugeridos pelo poema do Henrique Pedro "uma dor de dentes", pessoa que muito respeito. O facto de discordar e contrapôr a sua opinião, prova-o. Daqui o meu abraço de respeito e admiração.
E agora passando ao mote do tema e ignorando alfinetadas ignaras, aproveito para dizer que não me acho o centro do universo, nem nunca olhei para o meu umbigo achando que era mais bonito que outros. Tenho a minha filosofia de vida assente em vivências e duvidas que se foram despoletando á medida que crescia, tenho todo os respeito pelas crenças religiosas desde que elas não se achem as únicas correctas, como tive oportunidade de dizer numa crónica, há elementos comuns a todas as religiões, e depois variam em conformidade com a interpretação dos profetas que lhe deram forma. Não tenho definitivamente respeito pelas vaidades e riquezas que certos membros dessas igrejas insistem em me atirar á cara. Não tenho respeito pela hipocrisia, até de alguns luso-poetas (caro Henrique, ressalvo aqui que não o acho dessa estirpe de pessoas) que batem no peito nestas alturas e no resto do tempo se pavoneiam e se acham donos da verdade como sumidades ultimas do pensamento e da metafísica que só refulge no espaço que os ante-olhos que usam o permite. Sou um cidadão universal observante e temente, não a deus, mas à minha própria consciência, porque ela, e não deus dita os meus passos e me indicam direcções em todos os actos. Não julgo que o universo começou comigo, sei que começou e se perdeu nas memórias do tempo e sei que é a terra que gira em volta do sol, embora os primeiros que o tenham afirmado, primeiro Copérnico, depois Galileu foram forçados a desmentir essa realidade perante a sanha da santa inquisição. Galileu velho havia de admitir nos seus escritos que essa foi a derradeira covardia da sua vida. Eu não concordo com ele, covarde foi a igreja, foi-o com ele, foi-o com Newton ao recusar a sua teoria de evolução das espécies, foi-o ao reconhecer existência de alma aos indígenas só em meados do sec. XVII, foi-o ao negar e fechar os olhos ao holocausto, foi-o quando na ultima visita papal condenou o uso do preservativo, foi-o ao excomungar uma criança de nove anos, foi-o sempre que ostentou a sua riqueza perante os descamisados a quem prega. E não me venham, por favor, com a gasta sugestão que acreditam em Deus e Jesus Cristo só. Quando são as sugestões doutrinárias de uma igreja velha, gasta, hipócrita que seguem porque é do todo que falamos, não daquilo que concordam e deitando fora o que discordam… não é aceitando o óbvio e descartando o que os faz pensar por pura preguiça mental, não é aceitar os milagres descritos da cura de doentes, paralíticos e cegos e nunca se perguntarem porque nunca foi curado um amputado… se assim é fundam uma nova religião persecutora dos objectivos que a vossa consciência dita.
A história e a humanidade se encarregarão de me dar razão quando esta igreja desabar como Jerusalém rendida á usura dos falsos profetas e dos vendilhões do templo. Porque se existe a tal justiça divina esta santidade que os rege já foi condenada, senão será a justiça dos homens e da história a fazê-lo.
E agora quem falou de egocentrismo que explique onde ele está nas declarações que proferi…




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