
alucinação
Data 09/04/2009 20:03:24 | Tópico: Prosas Poéticas
| Neste estado de loucura e de reflexão em torno da vida e do eu, numa interrogação profunda em busca de respostas explicativas do Ser, do seu destino e finitude, vociferava o louco nos seus estados mais lúcidos de loucura numa confrontação com este mundo de injustiças:
“ Eu sou a vida e a luz. Sou o Redentor que chegou p’ra salvar. Sou o mundo. Sou a estrela que alumia e que guia. Sou a luz que afugenta a noite e arreda os medos do mar. Sou a luz que aproxima e repele quem me escuta. Sou a voz que sem medo não se cala e que acusa. Sou o dedo que aponta e não quer recuar. Sou a mão da justiça vingadora que julga a injustiça existente neste mundo de ladrões. (Polícias, juízes, ministros, patrões...) Sou o pássaro que grita e que voa e que foge da gaiola. Sou a ave que finta o caçador que o chumba. Sou a ave que se escapa a este chumbo e que volta e que fica para acusar. Sou o mar e sou o vento. Sou a tormenta que atordoa e rebenta no ar. Sou o rei que não se cala e não aceita as injustiças. Sou o louco que não se mete em aventuras megalómanas sem ser louco sou o louco sou o Deus… e sou o Estado em que ninguém já acredita nem quero eu acreditar. Sou o cais onde a gaivota não descansa. Sou a gaivota à procura doutro cais onde possa descansar. Sou o homem, o enganado, sou o louco que fizeram e que hoje vive das migalhas dos ricos que ajudei a enriquecer. Sou o barco a naufragar… sou o livro que não abri, as páginas que não li a caneta que não usei e os números que não fiz. Sou a prova disso tudo, duma conta sempre certa que alguém me rasurou. Não fui eu quem a escreveu! Sou o alvo da (in)justiça que se fez o habitante da prisão cujas grades ninguém fechou. Sou o anjo vingador. E sou o verbo da palavra que se diz. Sou um louco que não cala as injustiças. Sou o louco a pedir céu.
do Autor in "O Livro das Inquietações" publicado também na IV Edição (Ricardo de Benedictis, 2006) da Antologia de Poetas Brasileiros e Autores de Língua Portuguesa
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