
“Adeus!”
Data 05/04/2009 18:38:40 | Tópico: Poemas -> Amor
| “Adeus!”
“Adeus!”… Foi essa a última palavra. A última palavra que ouvi os teus lábios dizerem Aos meus ouvidos sempre ansiosos de te ouvir “Adeus!”… Foi apenas o que disseste, “Adeus!”…
Esse singular “Adeus!” fez-me lembrar outros tempos, Naqueles fins de tarde Em que abandonavas o “nosso” banco de jardim E dizias “Adeus!”. A esse “Adeus!” cheio de esperança, Seguia-se sempre o “Até amanhã!”
Mas esse teu último “Adeus!” foi tão diferente A esse “Adeus!” não se seguiu o “Até amanhã!” de sempre. Da tua boca o “Até amanhã!” não veio Nem o sol trouxe o “amanhã” Para muitos o amanhã veio Mas para mim não.
Sem ti não há o “amanhã”. Sem ti não há o dia seguinte. Sem ti não há o cantarolar que já fazia parte de mim. Sem ti não há o banco de jardim, Nem o final de tarde.
Sem ti o “nós” é vago e perde o sentido. Sem ti o “nós” é solidão e caminho perdido. Sem ti o “nós” é apenas um “eu” recordando Sem ti não existe a doce ressonância do “Olá!”. E o único “Adeus!” que ainda perdura È apenas um mero eco da recordação…
“Adeus!”… Foi isto que disseste quando te levantaste do banco de jardim, Olhaste os meus olhos e despiste-me a alma (Sempre foste a única a fazê-lo, Ao olhar-me nos olhos, E de alguma maneira e sem porquê; A olhar-me a alma.) Deste-me um beijo nos lábios e voltaste a dizê-lo: “Adeus!”…
Viraste as costas e a esquina do jardim… Ainda vi os teus cabelos pairando sobre os arbustos, E então desapareceste! Algo em mim sabia que algo fora esquecido. Algo ficou por olhar, por beijar, por recordar, Ou talvez por dizer…
O dia seguinte brotou e o sol beijou-me a cara E lá estava eu esperando o teu beijo de bom-dia no banco de jardim… A espera foi longa, e sol foi embora. O bom-dia não veio nem o teu beijo nos meus lábios Lembrei o teu olhar e as tuas palavras: “Até amanhã!”… Agora sei o que ficou por dizer! Naquele banco onde ainda te espero Apenas para te dizer o que foi esquecido:
“Adeus!”…
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